[Resenha] Bom Dia, Verônica



Bom Dia, Verônica
Autora: Andrea Killmore
Editora: DarkSideBooks
256 páginas

Duas situações inesperadas mudam totalmente a vida da secretária de polícia Verônica Torres. Na mesma semana Verônica presencia o suicídio de uma mulher que chega desesperada na delegacia por ter sido enganada e roubada, e recebe uma ligação anônima de uma outra mulher que pede ajuda para fugir dos tormentos provocados por seu marido.


Verônica, ao contrário de seu chefe, não consegue ignorar ambas situações e resolve solucionar esses dois casos através de uma investigação solitária e perigosa. A secretária acaba lidando com algo muito maior do que esperava e terá que enfrentar o que há de mais sombrio e cruel na alma de um ser humano. Os casos que Verônica investiga são duas situações envolvendo mulheres. Mulheres que foram enganadas, abusadas e que tiveram seus sonhos roubados por monstros.

“As pessoas não olham para você. Elas passam apressadas pela sua mesa, carregando suas pendências e seus próprios problemas, pedem um grampeador emprestado, perguntam das novidades, querem saber da sua vida sem esperar uma resposta diferente de ‘tudo certo’, comentam sobre o jogo de futebol da semana passada, mas nenhuma delas – escuta bem o que eu digo- nenhuma delas realmente olha para você. Você é invisível.” 


O livro é narrado em primeira pessoa sob o ponto de vista de Verônica, uma mulher repleta de defeitos e muito desorganizada, o que a torna uma personagem bem plausível e humana, ou seja, Verônica mergulha nas investigações mostrando o quanto é corajosa e tem sede de justiça, mas arrisca demais e é muito impulsiva, o que resulta em muitos vacilos e descuidos em sua busca. Além de Verônica ser uma bagunça de pessoa, ela tem que lidar com vários problemas tanto no ambiente de trabalho como familiar. 

“[...] levei tanto tempo para encontrar o celular que decidi enfrentar o caos na minha bolsa primeiro. Meu marido costumava brincar que eu carrego toda minha vida ali dentro; troco de bolsa, mas não troco de bagunça. Meus sonhos, meus medos e minhas vaidades fechados por um zíper. Gosto dessa imagem e agora penso que talvez ele estivesse certo: o peso da bolsa confirma que não é mesmo fácil levar a vida pelo braço. Ainda iam pensar que eu carregava um cadáver dentro dela.” 


Verônica é uma personagem bem construída e apresentada, o leitor imerge na história ao lado da protagonista e se torna íntimo de sua vida ao conhecer seu passado e se envolver com seus dilemas familiares, frustrações e tristezas. Verônica é o reflexo da mulher moderna batalhadora, que tem que dá seu melhor tanto na área profissional como em casa, ao mesmo tempo que trabalha também precisa cuidar da família, tem que estar em forma, tem que fazer compras.... Não tem como não se identificar com Verônica, até eu me identifiquei em alguns momentos, por mais que ela seja bem diferente de mim.

“A vida é assim: você faz cem coisas certas, mas os sacanas só se lembram de uma coisa errada. É injustiça pra caramba, e injustiça dói na alma.”

“Costumo dizer que o lugar que a gente mora nos identifica tanto quanto nossa impressão digital.”


“[...] existem no mundo outras pessoas com a vida tão desgraçada quanto a dela. Nem na tragédia ela é especial.”

“Impressionante como a gente é o que o passado faz da gente.” 

Andrea Killmore é um nome fictício, um pseudônimo. De acordo com a editora Darkside a autora nunca mostrou a cara, sabemos apenas que é uma pessoa que possui experiência de vida na área policial e procura levar um pouco do que viveu para suas histórias. Portanto, a autora prefere viver no anonimato, achei isso muito bacana, apesar que também vejo esse aspecto como uma boa estratégia de marketing, não que isso seja ruim até porque é uma forma muito inteligente de promover seu trabalho, afinal, isso faz com que, nós leitores, fiquemos intrigados sobre sua real identidade.


Assim como todas as edições da Darkside, o design, a capa e diagramação ficaram espetaculares. Foi um livro que apreciei bastante, me senti envolvida com a trama e instigada a querer saber mais. O desfecho poderia ter sido mais impressionante, de certa forma, porque não me convenceu, contudo, isso não comprometeu minha leitura. Com uma narrativa primorosa o leitor é conduzido a uma história repleta de mistérios, suspense, ação e investigação. Super recomendo!




Eloise G.F

Um comentário

  1. Oii Eloise.
    Nossa, fiquei invocada com esse livro.
    Eu gosto, de mais mesmo, de livros que tenham não somente suspenses mas uma pitada de drama pessoal. Achei bacana a autora saber construir sua personagem, porque para o gênero eu acho que muitos livros saem vagos.
    Sensacional a perspectiva do livro.
    Beijos.

    Blog: Fantástica Ficção

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